terça-feira, 20 de agosto de 2019

Amatória



"Zélia censurava seus gritos com a mão ensanguentada sobre a boca. Tinha dado fim à galinácea ave, entre as chamas bruxuleantes de rubras velas e as oferendas. Magia amatória. O feitiço fora lançado? Certamente. Ela podia sentir isso com sentia o frio tomar-lhe a pele dos braços expostos.
Ela tinha pavor daquelas histórias que ouvira por toda a vida sobre feitiçarias, pactos, acordos sombrios com entidades místicas, pérfidas e malignas. E agora aquilo!?
Como poderia resistir, afinal? Sacrifícios em nome do amor, ela repetia para si mesma em pensamentos, enquanto a faca pingava na terra negra o sangue escuro.   
Estática, ela sentia certo pavor lhe dominando o juízo na medida em que provava o sangue quente e salgado respingado na face que lhe invadia pelos lábios carnudos a boca entreaberta. Ah, se não fosse por Vicente não estaria ali...". 

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