segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Chove

    
        “Escrever é sonhar”, disse Lygia Fagundes Telles em uma certa entrevista. Então, estou imerso em sonho... Penso.


       Chove, mas às vezes não parece que chove, é como se o céu vivesse assim, gotejando. Plim... Plim... Plim... Estouram no telhado da casa. Nunca sei dizer em qual estação do ano estamos aqui na Amazônia, chove e faz calor em quase todos os dias do ano. A gata rola pelo chão entretida com um pedacinho de algodão.  No embalo da rede eu leio, e das páginas do livro as fotos dele caem sobre meu peito, “Olá D.A.’s estou com saudade...” penso. Beijo as fotografias que me deu antes de viajar. Hoje ele me toma e as minhas palavras são todas por ele. Como asas de borboleta ele deixou algo em mim que cintila. Bate aquela saudade. Surgem bolhas de lembranças que dançam pelo ar, toda uma cornucópia de tímidas recordações em tons de azul. Se me ponho a cismar com a dança das gotas na janela ou com a cortina de chuva lá fora é a ele quem desejo abraçar; aquecer. Aquecer que nada, se estivesse aqui nós correríamos pela chuva num banho inocente de quando ainda na infância abrimos a boca pra beber as gotas que caem na superfície da língua. Veja como bebemos a chuva! Toca-me a face o vento frio desse começo de fevereiro. Um frescor esse sentimento que guardo aqui no peito. Doce, tão doce de carregar... Corro a escada em caracol para escrever. Ah, ele me inspira! Escrevo logo sonho.

12 comentários:

  1. "Escrevo logo sonho"
    Que lindo!

    Pessoas que inspiram.
    Chuva que inspira.
    Vento e lembranças que dão asas. Asas que nos levam por recantos de sonhar.

    Mesmo que esteja divagando um pouco, mas foi o que pensei, deixei rolar. kkk

    Lindo texto Renato, lindo! Cada vez mais lindo.

    Jônatas Amaral
    alma-critica.blogspot.com.br

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    1. Ah, meu amigo, seus comentários são sempre bem-vindos, de uma delicadeza que me encanta. Claro, deixe sempre aberta a porta para o seu pensamento rolar.Sempre.
      Grande abraço Jônatas.

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  2. Que lindo, Nato!
    Você sente essa refrescante saudade porque o ama. E quem se ama desde a infância, faz-nos sentir essa saudade inspiradora que te faz correr para escrever.
    Lygia sabia; "escrever é sonhar" com algo ou com alguém.
    Os teus textos são doces e serenos, ao mesmo tempo profundos e límpidos como essas gotas e chuva.
    xx

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    1. Ah, Laura, você sempre certa a respeito do que escrevo. Entende tudo.
      Oh, querida, muito obrigado por cada palavra, são muito significativas, ainda mais conhecendo o que escreves. Honrado.
      Beijos.

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  3. Que delicado! (E não sabia dessa citação da Lygia. Escolheste uma ótima escritora para epígrafe).

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    1. Ah, Lygia Fagundes Telles, minha escritora favorita. Fico feliz que também a considere ótima. Que bom que gostou Suzi!
      Obrigado.

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  4. hummm bela Amazônia. Nunca sequer passe perto, mas morro de vontade de conhecer.
    Muito bonito o poema.
    A chuva faz a gente parar para refletir.

    Histórias, estórias e outras polêmicas

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  5. Cada vez que eu volto, teu um blog visivelmente ainda mais bonito. Falando sobre o texto... sem palavras... tudo lindo, Nato. Obrigada pelas suas visitas sempre e seja bem vindo!!
    Att.

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    1. Ah, Claudinha, gentil como sempre. Obrigado pelas palavras.
      Beijos, e pode ter certeza que continuarei visitando seu blog. ^^

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