É genuíno. Guardo no bolso da camisa a flor
do meu segredo que é colorida como uma película de Almodóvar. Tem os olhos vermelhos e aquela voz alterada. Eu vou pelas ruas
te buscando em resquícios soltos e dispersos, como as páginas de velhos diários
que me esqueci de datar. Lembro dos versos de Drummond. É disso que
preciso. Volto pra casa para te abraçar em mim. Procuro uma vez mais ouvir a tua reclamação, tuas unhas invisíveis que ferem minha pele, teus dentes mordendo minha orelha querendo existir. E vai surgindo, na máquina de escrever, em tinta negra e delicada, a tua primeira pulsação.
