A. meu bem,
Nós aceitamos. O tempo passa e só nos resta
o verbo aceitar. Tentar entender e buscar alguma explicação é semente para uma
infinidade de hipóteses e mais questionamentos e, para evitar mais sofrimento e
todo incomodo, aceitamos. É o que nos cabe. Mas sempre fica uma pontinha de
dúvida que é como o fio de Ariadne, no entanto, ao invés de mostrar a saída, só faz com que se penetre ainda mais nas profundezas do obscuro labirinto. Não, não pense que sofro,
porque eu não sofro. É apenas uma inquietação, uma saudade que bate forte e me
deixa necessitando de um abraço seu, tão singular o teu abraço; único. Saudade dos meus braços envolvendo seu corpo esguio, apertando forte, e era como se eles pudessem dar voltas e voltas em seu redor. Saudade das meias coloridas que sempre apareciam quando tu sentavas e até de quando eu perdia em estatura._ Você dá aqui, ó! Mas eu estou crescendo, não acha...? Saudade da tua sensatez.
Ah, minha amiga, a saudade reside no
coração dos jovens também. Talvez aquele parque tenha perdido a atmosfera de alguns anos atrás quando invadíamos o teatro para estudar e por os
nossos sonhos em voga, onde nos protegíamos das tardes quentes e compartilhávamos
dúvidas, nos protegíamos de tudo, por certo a atmosfera não é mais a mesma, mas mantem ainda intacta nossas
gargalhadas ecoando em algum lugar, talvez um algum canto imperscrutável entre os azulejos ou na
seiva das plantas, tenho quase certeza...
