“Escrever é sonhar”, disse Lygia Fagundes
Telles em uma certa entrevista. Então, estou imerso em sonho... Penso.
Chove, mas às vezes não parece que
chove, é como se o céu vivesse assim, gotejando. Plim... Plim... Plim... Estouram
no telhado da casa. Nunca sei dizer em qual estação do ano estamos aqui na Amazônia,
chove e faz calor em quase todos os dias do ano. A gata rola pelo chão
entretida com um pedacinho de algodão. No embalo da rede eu leio, e das páginas do
livro as fotos dele caem sobre meu peito, “Olá D.A.’s estou com saudade...” penso.
Beijo as fotografias que me deu antes de viajar. Hoje ele me toma e as minhas
palavras são todas por ele. Como asas de borboleta ele deixou algo em mim que
cintila. Bate aquela saudade. Surgem bolhas de lembranças que dançam pelo ar,
toda uma cornucópia de tímidas recordações em tons de azul. Se me ponho a
cismar com a dança das gotas na janela ou com a cortina de chuva lá fora é a
ele quem desejo abraçar; aquecer. Aquecer que nada, se estivesse aqui nós correríamos
pela chuva num banho inocente de quando ainda na infância abrimos a boca pra
beber as gotas que caem na superfície da língua. Veja como bebemos a chuva!
Toca-me a face o vento frio desse começo de fevereiro. Um frescor esse
sentimento que guardo aqui no peito. Doce, tão doce de carregar... Corro a escada em caracol para
escrever. Ah, ele me inspira! Escrevo logo sonho.
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