segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Odara



   Fechei os olhos. Mesmo que estivesse com eles abertos não conseguiria enxergar muito bem, a lua e as estrelas escondiam-se por detrás das nuvens. Escuridão. Era noite de quarta feira e o vento salgado gelava o corpo por baixo do moletom. A pele arrepiada. O som das ondas vindo em minha direção era assustador, violentas, seguiam devoradoras. Engulo você se atrever-se a mergulhar em meus segredos. Sinto-me frágil diante da natureza. A única certeza era a de que lentamente as ondas vinham fazer carícias nos meus pés. Beijos. Certeza? Nessas horas não dá pra ter certeza de nada. A gente não pensa, fecha os olhos e existe. Sente.  E tem a questão de como ali cheguei. Perdi-me queridos. Estou perdido ainda. Confundi as rotas, equivoquei-me, mas não há problema algum. Foi o que fiz de melhor. Gélidas as gotas da chuva já encharcavam meus cabelos. Depois meu corpo, logo em seguida, eu por inteiro. Ah, eu por inteiro. Tão difícil entregar-se por inteiro, até no amor, até na dor. Dificílimo. Mas, Odara. Uma felicidade. Um sorriso nascendo no canto da boca. Corri pela areia úmida. E, como uma criança, brinquei. “Deixa eu dançar pro meu corpo ficar Odara...”.

5 comentários:

  1. Difícil mesmo se entregar por inteiro, mas como você mesmo escreveu: 'A gente não pensa, fecha os olhos e existe. Sente' ;}

    Beijos <3

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Ah, Jeniffer Yara, dificílimo. Por isso, os sentidos, sentir o que dá pra sentir.
      Beijos.

      Excluir
  2. Respostas
    1. Agradeço sempre suas palavras, me enriquecem.
      Abraços Fábio!

      Excluir
  3. Nem nessas horas,nem em outras quaisquer horas poderemos alguma vez ter certeza de alguma coisa. Poderemos apenas sentir ou não uma boa ou má intuição, o resto é sentir com o corpo. Tantas vezes fechamos os olhos e nos perdemos, ficamos assustados, mas o susto tem de ser por pouco tempo, uma não entrega total ao amor não merece uma entrega total à dor.
    Enganamo-nos tantas vezes, faz parte, um dia pode ser que se acerte, ou vai-se acertando...
    Depois de cada engano é tentar encontrar essa tranquilidade, e dançar, dançar como uma criança, porque a dança é o corpo feito emoção.
    Gosto dos teus textos, Nato!
    xx

    ResponderExcluir