Nesta manhã
nublada, branca como folha de papel, faço das palavras minha matéria bruta. Espirito. Alma. Coração. É fuga meu corpo sublime. Contorno as nuvens com a ponta do
dedo. Crio coisas quaisquer. Moldo no frescor do nada com a doce ilusão de ser
Deus. Inventar. Desvendar no primitivo, gasoso, minha semelhança. Tem valor de
secreto essas inconfessáveis aparências. Signo de Ar. O cigarro aceso, em fuga espectral todos os fantasmas natimortos da minha literatura vencida. Fumaça. A gata
enrola-se aos meus pés. Datilografo minha identidade imprecisa.
Me fascino com a total ignorância de ser só. Uma solidão enevoada, apagando a
sanidade num risco branco de giz. Não entender e ser. Eis-me.

Adorei toda essa atmosfera otimista, essa solitude fértil, esse clima de completude. Ótimo, Nato.
ResponderExcluirEsculpir o pensamento, essa mescla de razão e emoção nas palavras, é como moldar a pedra bruta numa escultura. Não basta escrever, mas tentar escrever de forma perfeita, com essa ilusão de ser Deus, uma das grandes e estapafúrdias invenções humanas. Inventemos no papel a nossa própria reinvenção, e que as palavras nos concedam essa noção do primitivo a partir de nós mesmos.
ResponderExcluirNão acredito que da forma como escreves, a literatura alguma vez saia vencida. Sairá sempre triunfante. Porque a nossa essência é nunca nos entendermos.Porque não nos conhecemos.Quando acharmos que nos conhecemos, estamos "mortos".
E eis-me aqui para te saudar.
xx
As palavras sempre são a matéria prima mais sublime que existe, Nato. A tua é excepcional, sem mais.
ResponderExcluirEssa foto é tua?