sábado, 28 de novembro de 2015

Máquina de Escrever



   É genuíno. Guardo no bolso da camisa a flor do meu segredo que é colorida como uma película de Almodóvar. Tem os olhos vermelhos e aquela voz alterada. Eu vou pelas ruas te buscando em resquícios soltos e dispersos, como as páginas de velhos diários que me esqueci de datar. Lembro dos versos de Drummond. É disso que preciso. Volto pra casa para te abraçar em mim. Procuro uma vez mais ouvir a tua reclamação, tuas unhas invisíveis que ferem minha pele, teus dentes mordendo minha orelha querendo existir. E vai surgindo, na máquina de escrever, em tinta negra e delicada, a tua primeira pulsação.
    

2 comentários:

  1. Como a partir do filme "A flor do meu segredo", saiu um texto poeticamente liso e coerente...Como a personagem de Almodóvar, de romances leves e cor de rosa, terá de passar a escrevê-los intensos e dramáticos. Assim também surgirá na tua máquina de escrever, essa tinta negra, mas delicada.
    Genuína a tua forma de escrever!
    xx

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  2. Fluido e suave, visceral, grande Nato. Abraços!

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