Baby,
Eu escrevo isso, que é confissão, porque não
sei escrever sem me entregar. Aponto o dedo para mim mesmo: eu que sou o
culpado!
Chove.
E na ausência do teu corpo, desse teu abraço que cruzava para direções distintas, as lembranças me apertam, brincam alucinadas sobre os meus ombros. É só saudade.
Me pergunto se tu estás vendo a chuva cair sobre as plantinhas do quintal.
Chove.
E na ausência do teu corpo, desse teu abraço que cruzava para direções distintas, as lembranças me apertam, brincam alucinadas sobre os meus ombros. É só saudade.
Me pergunto se tu estás vendo a chuva cair sobre as plantinhas do quintal.
Não sou um homem triste. Ah, e como os
detestamos fora da literatura e do cinemascope, certo? Essas carinhas
acinzentadas por aí, pelas ruas... Todo mundo pegou gosto pela tristeza, o que é bem provável, dada a ideia do charme, uma sombra oculta sobre os olhos... ou, quem sabe, por uma
justificativa que lhes permita continuar imutável, um corpo inerte no aconchego do eu. Sempre uma
justificativa. E lá dá-lhe uma historinha do arco da velha de como a mãe não o
amamentou ou de uma namoradinha que o trocou por um cara que dirige um carro
esporte... Eu passo, passo tudo isso... Eu creio no samba: é melhor ser alegre
que ser triste. Tu também crês nisso?
Amor eu tive e dei. Bastou. Tu sabes, às
vezes as historias acabam como o gosto do chiclete. Mas fica na língua, nas papilas
gustativas, o sabor por um tempo. Doce. Fica a adrenalina de uma criança que acabou
de descer da montanha-russa. Um desejo pulsante de voltar e dar voltas e
voltas, ficar de ponta a cabeça, mas a mãe insiste em ir embora... Tudo bem! Mas
se sabe, ah, bem no fundo fica um pressentimento de que uma hora, num dia qualquer,
chovendo ou não, se pode voltar para mais gritaria, curvas e vento no rosto. As
mãos para cima!
O parque está ali. Brilhante com sua roda gigante. Solteiro: estou na fila dos bilhetes. Eu acredito no amor, ou no que quer que seja.
O parque está ali. Brilhante com sua roda gigante. Solteiro: estou na fila dos bilhetes. Eu acredito no amor, ou no que quer que seja.
Espero e vejo a chuva que cai, desejo que tu também a veja.
To your,
G.

Este comentário foi removido pelo autor.
ResponderExcluir"Não sou um homem triste. Ah, e como os detestamos fora da literatura [...] Todo mundo pegou gosto pela tristeza"... eu sou suspeita para falar, mas a tristeza faz parte de mim e como eu gosto dela: na literatura, é claro.
ResponderExcluirTuas palavras foram lindas e lidas com entusiasmo, Nato.
Ótima cronica, Nato, muito bem escrita. Inspiradora! E o titulo, então, títulos são importantíssimos! Gostei! Abraços!
ResponderExcluirGostei muito da analogia com a montanha-russa!
ResponderExcluirEu diria que por vezes será tão bom estar solteiro e estar na fila dos bilhetes! Melhor que sofrer por amor....ou desamor.
Admiro a tua escrita vibrante e sincera. Gosto quando as pessoas se despem ao escrever.
Tudo sempre muito bom por aqui, querido Nato.
xx