Anoitece em tons de indecisão e cobre, o mundo muda. Noto sinais que nada dizem de modo que posso passar mil
vezes em redor das coisas mais obvias e não as notar. Mas em um cantinho
escondido por entre o limo verde e o tijolo saliente da parede, vejo a flor em imperscrutável efeito.
Como ato de amor: calo. Não amor por ti, ou por
qualquer homem, se não amor por amor. Reflexo turvo no espelho torto.
Vejo. Eu estou, então suspiro aliviado. Drummond quem disse que ausência é um estar em si. Ponho-me no colo. Sou por vezes bruto e posso parecer ingrato, mas na pele eu transpiro gratidão. O corpo diz. Era amor. Não era. Não, era.
Toco nos frascos de essência de amor e crença, gosto de deixar minhas digitais nos vidros, em tudo, tu não? Chega-te a mim. Acredito? Mas eu quero que te afastes... e tu vais.
Toco nos frascos de essência de amor e crença, gosto de deixar minhas digitais nos vidros, em tudo, tu não? Chega-te a mim. Acredito? Mas eu quero que te afastes... e tu vais.
Ampulheta virada: nosso tempo acabou.
Chega a
noite mansa. Interlúnio. Apago as luzes. Durmo tranquilo, por agora...

Aqui também anoitece em tons de indecisão!!
ResponderExcluirGosto da maneira como você escreve.
Beijoo'o
Obrigado, Simone.
ExcluirAgradeço tua visita!
Beijo!
Por maior que possa ser a indecisão, algo nos saltará à vista, sobre tudo o resto que possa passar despercebido e turvo na monotonia dos dias, e todo o sentimento de ausência é um recentrar em nós que precisa de silêncio; esse calar, para nos ouvirmos. Não só estamos, também somos. O outro, que foi tocado poderá ir, mas nós ficaremos sempre, mesmo que algo de nós com ele vá.
ResponderExcluirBelo texto. Nato!
xx
Na mosca! Laura, tu sempre acertas o alvo!
ExcluirObrigado, sempre!
Beijos!
Gostei do teu jogo de palavras, da maneira com que fez o ciclo parecer durar tanto, em poucos instantes.
ResponderExcluirMas sempre é assim, não é? A profundidade do momento faz com que tudo demore a passar, ou, em alguns casos, com que passe rápido demais.
Ah, não tenha dúvidas! Obrigado pelo carinho, pelo elogio... por tudo.
ExcluirGrande abraço, Carol!
Como sempre lendo tudo que tu escreves. E tenho orgulho de ser assíduo, posso até dizer: és um dos escritores que mais me envaideço em conhecer e mais ainda em ler.
ResponderExcluirAbraços fraternos.
Ícaro Machado.
enfimcafe.com.br