terça-feira, 10 de março de 2015

Interlúnio

Arte by: Joapa

Anoitece em tons de indecisão e cobre, o mundo muda. Noto sinais que nada dizem de modo que posso passar mil vezes em redor das coisas mais obvias e não as notar. Mas em um cantinho escondido por entre o limo verde e o tijolo saliente da parede, vejo a flor em imperscrutável efeito.

 Como ato de amor: calo. Não amor por ti, ou por qualquer homem, se não amor por amor. Reflexo turvo no espelho torto.

Vejo. Eu estou, então suspiro aliviado. Drummond quem disse que ausência é um estar em si. Ponho-me no colo. Sou por vezes bruto e posso parecer ingrato, mas na pele eu transpiro gratidão. O corpo diz. Era amor. Não era. Não, era.

     Toco nos frascos de essência de amor e crença, gosto de deixar minhas digitais nos vidros, em tudo, tu não? Chega-te a mimAcredito? Mas eu quero que te afastes... e tu vais. 

Ampulheta virada: nosso tempo acabou.

Chega a noite mansa. Interlúnio. Apago as luzes. Durmo tranquilo, por agora... 

7 comentários:

  1. Aqui também anoitece em tons de indecisão!!
    Gosto da maneira como você escreve.
    Beijoo'o

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  2. Por maior que possa ser a indecisão, algo nos saltará à vista, sobre tudo o resto que possa passar despercebido e turvo na monotonia dos dias, e todo o sentimento de ausência é um recentrar em nós que precisa de silêncio; esse calar, para nos ouvirmos. Não só estamos, também somos. O outro, que foi tocado poderá ir, mas nós ficaremos sempre, mesmo que algo de nós com ele vá.
    Belo texto. Nato!
    xx

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    1. Na mosca! Laura, tu sempre acertas o alvo!
      Obrigado, sempre!
      Beijos!

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  3. Gostei do teu jogo de palavras, da maneira com que fez o ciclo parecer durar tanto, em poucos instantes.
    Mas sempre é assim, não é? A profundidade do momento faz com que tudo demore a passar, ou, em alguns casos, com que passe rápido demais.

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    1. Ah, não tenha dúvidas! Obrigado pelo carinho, pelo elogio... por tudo.
      Grande abraço, Carol!

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  4. Como sempre lendo tudo que tu escreves. E tenho orgulho de ser assíduo, posso até dizer: és um dos escritores que mais me envaideço em conhecer e mais ainda em ler.

    Abraços fraternos.
    Ícaro Machado.

    enfimcafe.com.br

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