sexta-feira, 29 de julho de 2016

O Caminho


Há nos teus olhos, que já foram de outras, a beleza do caminho. Permito-me seguir sem razões aparentes que não sejam a confiança e o desejo. Cor-de-rosa, sou atraído para chama como os insetos noturnos. Corto o sereno com cantigas ancestrais. Invento vaga-lumes e estrelas num céu desesperado. No fim dessa estrada... o que me importa? Não tenho pressa. Sou teu, te pertenço. E enquanto caminho pelo teu corpo, tu és meu. Se por inteiro ou por meia medida, confesso, desconheço razões para me preocupar. Sou feliz, alcançamos o fruto proibido e estamos nos lambuzando nas delícias do desafio. Saboroso, ele escorre suculento pelos nossos corpos, não haveria outro modo de experimenta-lo sem por a conta a risco. Sem viver.


— Vamos, o caminho é longo, e este nosso destino, há muito, aceitamos sem pesar. 

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