Há nos teus olhos, que já foram de outras, a beleza do caminho.
Permito-me seguir sem razões aparentes que não sejam a confiança e o desejo.
Cor-de-rosa, sou atraído para chama como os insetos noturnos. Corto o sereno
com cantigas ancestrais. Invento vaga-lumes e estrelas num céu desesperado. No
fim dessa estrada... o que me importa? Não tenho pressa. Sou teu, te pertenço.
E enquanto caminho pelo teu corpo, tu és meu. Se por inteiro ou por meia medida,
confesso, desconheço razões para me preocupar. Sou feliz, alcançamos o fruto
proibido e estamos nos lambuzando nas delícias do desafio. Saboroso, ele
escorre suculento pelos nossos corpos, não haveria outro modo de experimenta-lo
sem por a conta a risco. Sem viver.
— Vamos, o caminho é longo, e este nosso destino, há muito, aceitamos
sem pesar.

Nenhum comentário:
Postar um comentário